sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Relacionamentos dos tempos modernos


A minha querida avó, que eu adoro, que vai fazer 80 anos no próximo domingo, contou-me uma teoria sobre os relacionamentos dos tempos modernos.
Estávamos a almoçar, e eu a mandar e a receber mensagens no telemóvel. Como sempre, já diz ela, que eu não largo a escrita, expressão usada para falar das sms.
Virou-se para mim e disse que apesar de eu estar longe do meu namorado, passávamos o tempo todo a falar.
Respondi-lhe com um: Claro avó, assim vamos matando as saudades e parece que estamos mais próximos. A resposta dela foi algo como: Por isso é que os relacionamentos de hoje em dia não duram, fartam-se logo!
A culpa então, segundo a minha avó, é das novas tecnologias. E se não houvesse telemóveis?, perguntou ela.
Esse tempo já passou. A verdade é que, hoje em dia, os telemóveis existem, e eu, confesso, já não passo sem o meu.
Estar em contacto com o nosso namorado, marido ou companheiro, está à distância de uma mensagem, de um telefonema, até um e-mail. É tudo muito imediato, muito rápido. Já poucas pessoas escrevem cartas de amor... Cartas que sabem tão bem receber e enviar. Pelo tempo que alguém dedicou a escrever, pelo toque do papel onde o nosso amor tocou, pela ansiedade da espera pela resposta...
As novas tecnologias encurtam distâncias, mas por vezes também geram mal-entendidos...é fácil conhecer outras pessoas num mundo virtual e que pode ser propicio à traição. Como se as pessoas que não vemos fossem perfeitas, como se só elas é que nos compreendessem.
Quantas relações já terminaram pela descoberta de uma sms ou um mail menos próprio? Se antes também se pulava a cerca? Claro. A descoberta era mais pelo perfume alheio na roupa, ou do baton no colarinho... Mas a traição sempre existiu.
O que faz, então, com que as relações sejam tantas vezes mais efémeras, mais fugazes? Como uma pastilha elástica que se-mastiga-e-deita-fora-sem-demora?
As pessoas hoje em dia têm o coração menos sensível? O que leva alguém a começar um relacionamento para ver se dá, se não der acaba-se logo tudo? Ou um casamento, que se não der sai logo o divórcio? Facilitismo? Maybe...
Culpar as novas tecnologias? Será? Ou é só coisa da cabeça da minha avó?

12 comentários:

L'Enfant Terrible disse...

Olha que bem vistas as coisas a tua avó é capaz de ter uma certa razão!

Cat disse...

A tua avó tem uma certa razão, acho..

Lia disse...

não são as novas tecnologias...mas se calhar ajudam! Antes esperava-se pelo carteiro e a ansiedade fazia tudo ser mais vivido...digo eu, que não vivo sem o meu tlm...

disse...

Hoje tb referi as novas tencologias, mas numa perspectiva diferente...
Agora culpá-las da fragilidade das relações de hoje em dia? Não creio, mas é a minha visão das coisas. Acho que já ninguém permanece numa relção sem querer, sem amor, ao contrário do que acontecia antes...

Malinha viajante disse...

As tecnologias ajudam e muito, encurtam distâncias e permitem um maior e mais rápido contacto! Mas, também tem o reverso da medalha, se não se tem cuidado rapidamente passam a ser os culpados das traições!
bjs

Giovana disse...

Sua vó é uma FOFA!!! Compreendo o que ela quer dizer.

As pessoas devem ter o seu espaço, a sua individualidade e o relacionamento construído envolto de posse e ciúmes ao invés de confiança e respeito tende a acabar logo.

Dizem alguns por aqui, "o que o amor constrói, o orkut destrói". Para muitos, isto é uma realidade!

Não se deve culpar as novas tecnologias, mas o mau uso delas.

Beijinhos! :-***

MARIINHA disse...

Olá Sakurinha,
Passei para te agradecer as palavras amigas, que deixaste na Mansarda. Desejo-te também um bom fim de semana. Beijinhos

Anna disse...

A tua avó tem uma certa razão, admito! Mas não será a única razão, decerto.

Tal como dizes, se a tecnologia é uma forma de termos mais perto quem amamos, então porque não tirar o melhor partido dela?! É evidente que se torna mais fácil ter/querer ter/perder o controlo da pessoa que está connosco... Cabe-nos a nós ter o discernimento de usar a razão nesse campo...

Quanto à efemeridade das relações actuais, bom... diria que isso tem muito mais a ver com a forma com que nós as encaramos hoje em dia! "Vamos experimentar a ver se dá"...e afinal não deu... "Ele parece perfeito"...afinal ainda não o conhecia bem...
Se bem que também no tempo dos nossos avós havia tantas ou mais incertezas como esta, a verdade é que nessa altura todos estavam muito mais dispostos a fazer um esforço, a ser condescendentes... a ser mais perseverantes...

Seja como for, se houvesse um diagnóstico perfeito para todas estas situações, não nos estaríamos a questionar tanto sobre estas coisas.... limitar-nos-iamos antes a ser/fazer por ser felizes...

Beijinho*

Patrícia disse...

bem...não acho que as novas tecnologias tenham propriamente a culpa ....a culpa é das pessoas...acho que existe uma cultura do facilitismo de que a tecnologia resulta...ou nos levou a adoptar(isso é uma questão essêncial...)apesar disso...são as pessoas que já não se querem esforçar cansar para ficar com o outro...e também quem quer um preguiçoso(a) amoroso?

Sakura.Gosto deste espacinho,viva aos Sms!
*Eu esqueço-me muitas vezes do telemovel...mas só aí é que percebo o quanto dependo /ou não dele...(estou a averiguar esta questão ainda...)Acho que não dependo...mas secalhar...até dependo!lol
Parei por aqui!

bjs

Olhos Dourados disse...

Talvez a tua avó tenha uma certa razão, mas não creio que seja tudo assim tão linear.

MARIINHA disse...

OLÁ SAKURA,
Passei novamente por aqui, mas desta vez para te dizer que tens um desafio para ti no meu blogue. Não sei se vais ver isto, de qualquer das maneiras, desejo-te uma boa semana.
Beijokas

maçã disse...

hoje em dia somos muito egocentricos e é mais facil seguir em frente para outra do que lutar pelo amor que temos actualmente... relaçoes fast food que acabam quase sempre da mesma maneira, a cometermos os mesmos erros. A verdade é que com as novas tecnologias ou sem elas penso que seria o mesmo o problema está na forma como vivemos as relaçoes e nao na comunicaçao, mas sim, os telemoveis numas coisas ajudam noutras nao permitem as saudades aparecer... ou permitem?